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O Poder das Palavras

21/11/2010

Certa vez em uma das nossas rodinhas de fim de semana na praça, trocávamos ideias e contávamos algumas músicas, alguns jovens iam se achegando e se acomodando, e um jovem ali me chamou a atenção, não porque ele era excêntrico, usava um visual estranho, e etc, pelo contrário, ele vestia roupas normais e aparentemente era um rapaz normal. Neste texto vou chama-lo de “N”.

Mais músicas tocavam na roda de jovens formada ali naquela praça movimentada em uma noite de sábado. Embora a praça fosse bem próxima ao mar não era uma noite fria, estava uma temperatura agradável.

Conversámos sobre muitas coisas, mas o foco principal era a vida. O que a vida significava? O que era a vida? Quem nos deu a vida? E várias opiniões foram surgindo e todas foram ouvidas sem nenhum tipo de preconceito, pois ali estavam jovens de várias crenças religiosas.

Em todas as nossas rodinhas de final de semana, sempre havia a oportunidade de todos anunciarem seus nomes e o bairro ou cidade onde moravam. Neste momento então minha atenção se voltou para aquele rapaz, o “N”.

Enquanto todos se apresentavam ele observava atentamente, até que chegou em sua vez onde arrancou olhares de todos que estavam ali presentes. Quem estava de cabeça baixa no momento, elevou os olhos para a face do rapaz.

– Meu nome é “ninguém”. Disse ele o rapaz.

Assustados com a apresentação do rapaz, pedimos que falasse o nome dele de verdade.

– Meu nome é “ninguém”. Respondeu novamente no mesmo tom de voz.

Perguntei então ao rapaz:

– Mas porque você está dizendo que seu nome é ninguém?

Com um tom de voz normal ele calmamente explicou.

– Todos me chamam assim. Todos me conhecem como “ninguém”, então eu sou “ninguém”.

– Mas não é possível que você não tenha um nome? Nós gostamos de chamar as pessoas pelo nome. Disse ao rapaz.

– Mas não importa saber o meu nome, porque é por “ninguém” que as pessoas me chamam, então podem me chamar de “ninguém”. Respondeu o rapaz.

“N” então não nos disse seu nome de nascimento e eu ficava totalmente constrangido ao dirigir a palavra e tê-lo de chamar de “ninguém”. E em mais uma tentativa frustrada tentei arrancar de sua boca o seu nome de nascimento, mas novamente sem sucesso. E por um instante pensei comigo, meu Deus o que faz uma pessoa deixar ser adotada pelo nome de “ninguém”? Fiquei vagando nos pensamentos tentando por eu mesmo saber o que se passava na vida de “N” que o deixara talvez com cicatrizes, e quem o carimbara com tal covardia.

O livro mais lido do mundo – A Bíblia – cita em uma parte que “a palavra mata”, e neste momento tive a certeza de que essas palavras da escritura sagrada eram realmente verídicas, pois vi um jovem na flor da idade ser morto pessoas com apenas algumas palavras. Vi um jovem na flor da idade tirar de si um nome escolhido com tanto carinho por seus pais para dar lugar a “nada” e ser reconhecido como “ninguém”.

Até hoje não sei o nome de “N”. Mas em uma de minhas palavras dirigidas a ele, eu o disse:

– Para seus “amigos” e para outros, você pode ser “ninguém”, mas para Deus você é de um valor singular, e é alguém. Não enterre sua história por quem não te valoriza. E por um instante o vi baixando a cabeça.

E ali foi a última vez que o vi.

 

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